Coronavírus cancela São João: o estrago em cidades do Nordeste onde muitos fazem 'pé de meia para resto do ano' em festa


Na festa de São João do ano passado, Caruaru recebeu 2 milhões de turistas, segundo a prefeitura
"A festa de São João é a preservação da vida do nordestino. O que seria de um repórter sem a comunicação? O que é um médico sem paciente? O que seria de Caruaru sem o São João e sua cultura popular?". Quem questiona é Sebastião Alves Cordeiro Filho, o Mestre Sebá, ator e diretor do tradicional teatro de mamulengo (um tipo de fantoche).
Mas neste ano, assim como outras cidades nordestinas, Caruaru não terá a tradicional festa anual de São João por causa das medidas de isolamento social que tentam conter a pandemia de covid-19.
O evento cultural e religioso, que dura todo o mês de junho, apresenta atrações, movimenta o turismo e a rede hoteleira, gera milhares de empregos e sustenta centenas de artistas locais, além de aumentar a arrecadação de impostos em municípios do interior, como Caruaru, Campina Grande (PB) e Mossoró (RN)
  • "Não ter São João é algo inédito na minha vida. Não poder me apresentar, depois de 40 anos atuando, causa uma grande angústia", diz Mestre Sebá, de 63 anos, coordenador de uma trupe teatral com 65 pessoas, entre atores, técnicos e manipuladores de bonecos.
  • O ator tem sobrevivido com R$ 1 mil por mês, dinheiro de uma bolsa paga pela prefeitura da cidade do agreste pernambucano, que o reconheceu como patrimônio vivo. "Mas muitos outros artistas estão passando grandes dificuldades", diz.
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