Sergipe vira o epicentro do coronavírus no Nordeste, diz pesquisador




As mais recentes pesquisas divulgadas  sobre o avanço do coronavírus em Sergipe mostram que o nosso estado se tornou um dos principais focos da nova doença no Nordeste, o que pode redundar em um número mais alto de casos e de mortes causadas pela doença. Hoje, Sergipe tem a mais alta concentração de casos da covid-19 na região. Segundo o boletim de sexta-feira do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), com base nos dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), a taxa de incidência, que mensura a infecção do vírus, subiu para em 1.510,1 casos por 100 mil habitantes.
Até aqui, são 34.173 pacientes infectados com a covid-19 e 931 mortos com complicações da doença, desde o início da pandemia. É um número relativamente baixo em relação a outros estados, que coloca Sergipe na 19ª posição no ranking nacional em número de casos. Só que, ao dividir o número de casos por 100 mil habitantes, e levando-se em conta a população atual de 2.298.696 habitantes, a incidência assusta e coloca o Estado em 6º lugar, perdendo apenas para Acre (1.787,9), Amazonas (1.990,7), Distrito Federal (2.231,9), Roraima (3.503,0) e Amapá (3.674,9). 


Outro detalhe é que a incidência de Sergipe já estava alta na quinta-feira, quando esses dados foram apresentados pelo boletim "Covid-19: Sergipe e Território Nacional", do Observatório de Sergipe. Naquele dia, Sergipe estava com 1.413 contaminados, por 100 mil habitantes, ultrapassando o Ceará, que tinha.407 casos e liderava o índice entre os estados nordestinos. A alta do índice se deu após a confirmação do número de casos novos da sexta-feira, que foi de 1.298.


"Infelizmente, Sergipe virou o novo epicentro do coronavírus no Nordeste", resume Lysandro Borges, professor do Departamento de Farmácia da UFS e integrante da "Força Tarefa Covid", que reúne pesquisadores de 13 universidades do país para acompanhar a crise do coronavírus. Ele também confirmou nesta semana os dados de uma projeção epidemiológica feita em cima das estatísticas oficiais. A pesquisa estima queo pico de disseminação da doença pode acontecer entre os dias 20 de julho e 4 de agosto, com uma sobrecarga maior de pacientes graves nos hospitais.


Se os casos de coronavírus continuarem no atual ritmo de crescimento, a previsão da Força-Tarefa é que, no dia 20 de julho, o total de infectados no Estado some no mínimo 41.344 e no máximo 45.804,com 463 internamentos em leitos de UTI. Já a previsão de mortes mínimas, até o dia 20 de julho, é de 1.094 óbitos e o máximo de 1.231. Até o dia 4 de agosto, o mínimo é de 1.358, e o máximo 1.665 - e com a recente flexibilização do comércio, que acabou suspensa por uma liminar da Justiça Federal, os óbitos podem chegar a 2 mil.Para o professor, isso acontece porque a disseminação do coronavírus já está descontrolada, principalmente por causa da grande circulação de pessoas nas ruas. 


"O que tem acontecido no estado, e estamos vendo nos gráficos, a curva exponencial do aumento dos casos está acelerada, muito intensa. Isso porque a população toda está praticamente na rua. A taxa de isolamento social em média está em uma média de 36%. O vírus que está circulando é de uma cepa mais infectiva, transmite muito mais fácil e é um pouco mais assintomática. Qual o problema do assintomático? Ele não sente nada, mas se ele passa o vírus para uma pessoa diabética, hipertensa, obesa ou que passou pior tratamento oncológico, essa pessoa pode precisar de uma UTI, pois seu estado vai se agravar", disse Lysandro, ao chamar a atenção para que as pessoas voltem a colaborar com as medidas de isolamento social, mesmo com os esforços do governo e dos hospitais para ampliar os leitos de terapia intensiva. 


O pesquisador reforça que essa projeção pode não se confirmar, mas basta que a população colabore com as medidas de isolamento social e que as autoridades tomem medidas mais fortes de prevenção contra o avanço do vírus. A principal estratégia, segundo ele, é restringir a concentração de pessoas em ambientes fechados , como templos religiosos e salões de beleza, recentemente reabertos com base no Plano de Retomada Econômica. "O mais importante está nos locais onde se tem maior disseminação do vírus. Um lugar climatizado, um elevador, um restaurante fechado, infelizmente as casas religiosas, cabeleireiros, eles levam à disseminação do vírus, porque se muitas pessoas se juntam nesses lugares, o vírus não vai parar de circular", diz Lysandro, sugerindo que algumas atividades, como os cabeleireiros, possam ser feitas ao ar livre e distantes de outras pessoas. "E é claro que tem que tomar outros cuidados básicos: lavar as mãos, usar máscara, usar o álcool-gel na rua, e o distanciamento entre as pessoas. Não há outra alternativa ainda, porque ainda não existe droga e nem vacina que combata o vírus", acrescentou.

Uma cópia da pesquisa foi entregue ao governador Belivaldo Chagas e será analisada nesta semana, durante as reuniões dos comitês estaduais de Emergência, na segunda-feira, e de Retomada Econômica, na terça. Esses dados serão analisados para que os integrantes do comitê decidam se suspendem o Plano em definitivo ou ajustem algumas medidas de flexibilização. 


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